Santos da tradição católica oriental

No santuário de nossa igreja, atrás da iconostase , temos seis grandes ícones de santos da tradição oriental católica.

Esses são grandes santos, vários deles com uma atuação decisiva para a própria existência e conservação da reta doutrina da Igreja.
 


Santo Atanásio
(293? - 373 D.C.)
Teólogo e Doutor da Igreja.
Patriarca de Alexandria no Egito. Destacou-se pela luta incansável contra o Arianismo, heresia derivada dos ensinamentos de Ario,
 que dizia fundamentalmente que Cristo era uma criatura perfeitíssima, mas não era Deus. Os arianos chegaram a ter muito poder, em  vários reinos e junto ao próprio Imperador romano. Por sua intransigência na luta para manter o Filho como consubstancial ao
    Pai, Atanásio passou mais de dezessete anos exilado e perseguido, às vezes com a cabeça a prêmio. Por três vezes foi expulso de sua sede,
  Alexandria. Finalmente venceu. Segundo o historiador inglês Edward Gibbon – do qual tiramos essas informações - se hoje acreditamos em uma Trindade divina, isso se deve em parte à firmeza de Atanásio.
A memória do santo é cultivada em duas festas da igreja Melquita:



São Cirilo
(376? – 344 D.C.)
Teólogo, Doutor da Igreja. Patriarca de Alexandria. Tornou-se Patriarca de Alexandria em 412, décadas depois de Atanásio. Celebrizou-se pelo seu combate incansável ao nestorianismo. Nestório, Patriarca de Constantinopla, afirmava que Jesus só se tornou o Filho de Deus quando do batismo por São João Batista. Assim Maria não seria Mãe de Deus (Theotokos), mas apenas Mãe de Jesus. O Nestorianismo foi condenado no Concílio de Éfeso, de 431, que teve a liderança espiritual de Cirilo. Se hoje consideramos que o verbo se incarnou no seio de Maria, isso se deve em parte a Cirilo.
É  festejado pela Igreja Melquita em duas ocasiões:


  São João Crisóstomo
(347? - 407 D.C.)
Padre da Igreja e Doutor da Igreja. Patriarca de Constantinopla.
Batizado em 369, cinco anos depois retirou-se para o deserto perto de Antioquia. Foi ordenado sacerdote em 386. Tornou-se famoso por suas homilias, exortava o povo e comentou todas as escrituras. Diante da inesperada morte do Patriarca de Constantinopla, foi transferido para lá pelo Imperador Arcádio e entronizado Patriarca no ano seguinte. No entanto começou uma série de pregações aguerridas contra os vícios. E ao atacar o vício da cobiça, atacou ninguém menos que Eudóxia, a Imperatriz, esposa de Arcádio. Então os dois, com o apoio de Teófilo, Patriarca de Alexandria e inimigo de João Crisóstomo, engendraram sua deposição e banimento em 403. Logo voltou, apenas para ser banido de novo no ano seguinte, para os desertos da Táurida, onde, incansável, tentou converter os Persas e Godos. Sofreu terrivelmente sendo transferido de lugar em lugar durante três anos. Morreu durante uma dessas transferências, em 14 de setembro de 407, em Comana, na Armênia. Ganhou do povo, por sua arte ao discursar, o apelido de Crisóstomo (boca de ouro). É o autor da liturgia que é hoje rezada diariamente em todo o mundo na igrejas melquitas. Foi declarado pelo Sumo Pontífice o Papa Pio X como Padroeiro dos Pregadores.
É comemorado na Igreja Melquita em três datas:

São Gregório o Teólogo
(329? - 390? D.C.)
Padre da Igreja, é junto com Atanásio, Basílio e João Crisóstomo um dos quatro Doutores da Igreja oriental.
Nascido nas proximidades de Nazianzo, na Capadócia, atual Turquia. Estudou em Atenas e Alexandria, de onde voltou em 357 e foi batizado por seu pai, o Bispo de Nazianzo, três anos depois. Muito amigo de São Basílio, foi viver com ele uma vida de trabalho e oração no deserto do Ponto, Turquia, onde fizeram uma compilação dos escritos de Orígenes, escritor cristão. Depois foi sagrado bispo de Sasima. Em 375 foi viver em um mosteiro, do qual foi chamado quatro anos depois pelo Imperador  Teodósio o Grande para Constantinopla, para ajudar a reconstruir a igreja abalada por décadas de lutas contra o arianismo. Proferiu então cinco discursos sobre a Trindade que lhe deram grande fama como teólogo. Anos depois retornou a sua cidade, Nazianzo, onde permaneceu até sua morte.
A Igreja Melquita o comemora em:



São Basílio o Grande
(329? - 379 D.C.)
Padre e Doutor da Igreja. Padroeiro do Monaquismo Oriental.
Nascido em Cesaréia na Capadócia (atual Turquia). Estudou na sua cidade natal, em Constantinopla e finalmente em Atenas, onde se tornou grande amigo de São Gregório o Teólogo.  Após visitar alguns eremitas, abandonou sua carreira administrativa para se tornar ele próprio um eremita, indo viver perto da Cidade de Neocesaréia. Escreveu uma regra de vida monástica seguida até hoje por uma ordem de monges por ele fundada em 360. A maior parte dos monges ortodoxos e alguns latinos seguem a regra de São Basílio. Conhecido pela santidade de vida, foi chamado para combater a heresia do Arianismo, tornando-se bispo de Cesaréia em 370, sucedendo a Eusébio. Morreu como bispo em 01 de janeiro de 379. Seus escritos lhe ganharam o epíteto de “Revelador do Paraíso”.
Um detalhe interessante é que a família de Basílio era marcada pela piedade. Seu irmão Gregório também se tornou santo, conhecido como São Gregório de Nissa. Junto com seu amigo São Gregório o Teólogo, os três são conhecidos como Os Padres da Capadócia. Sua avó Macrina, seus pais Basílio e Emmelia, sua irmã Macrina e seus irmãos mais novos Gregório e Pedro são todos santos. Leia uma oração de São Basílio.

A Igreja Melquita o comemora em:


São Nicolau
Prelado, santo padroeiro da Rússia.
Viveu no tempo dos imperadores romanos Diocleciano, Maximiano e Constantino. Segundo a tradição nasceu em Patara, na Lícia (atual Turquia), tendo abraçado por algum tempo a vida monástica. Por sua coragem e virtude foi eleito bispo de Mira, na Lícia. Por ter pregado a verdadeira religião foi aprisionado pelos magistrados da cidade durante a perseguição de Diocleciano. Libertado durante o reinado de Constantino, participou do Concílio de Nicéia no ano 325. Suas relíquias ganharam fama de miraculosas, e foram transportadas no final do século XI por um grupo de mercadores italianos para a cidade de Bari, na Itália, onde até hoje são um santuário. Por isso também é conhecido como São Nicolau de Bari.
É padroeiro das crianças, dos estudiosos, das virgens, marinheiros e mercadores. Uma história diz que ele teria dado presentes secretamente às três filhas de um homem pobre, que por não poder lhes dar dotes estava para abandoná-las à prostituição. Daí teria se originado o costume de dar presentes na véspera do dia de Natal.
 

A Igreja Melquita o comemora em:


Fontes:

Enciclopédia Encarta 99
Programa CyberTypicon 4.00, Melkite Version, autor: Diácono Peter Boutros
Programa Menologium 1.1, autor: Thomas G. Purcell
GIBBON, Edward. Decline and Fall of the Roman Empire.
 
 





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