As doze grandes festas do calendário litúrgico bizantino

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O Calendário litúrgico bizantino começa no dia primeiro de setembro no que diz respeito às festas. É o dia do ano novo. Isso vem do I Concílio de Nicéia, no ano 325 d.C., que fixou tal dia como início do ano relacionando-o ao dia em que Constantino derrotou Maxêncio sob um sinal dos céus, concedendo depois liberdade aos cristãos.

No ano litúrgico existem doze grandes festas que são mais importantes que todas as outras. Nove dessas festas são com data fixa e três com data móvel. Nove delas são despóticas, ou seja, do Senhor, e três são theomitóricas, ou seja, da Mãe de Deus. Aqui está a lista das festas:

8 de setembro – Natividade da Mãe de Deus – T
14 de setembro – Exaltação da Santa Cruz – D
21 de novembro – Entrada no templo da santíssima Mãe de Deus – T
25 de dezembro – Natividade do Senhor – D
6 de janeiro – Teofania – D
2 de fevereiro – Encontro – D
25 de março – Anunciação – D
Entrada de Jesus em Jerusalém – D (festa com data móvel - em 2001 foi a 8 de abril - veja datas nos anos vindouros clicando na festa)
Ascensão do Senhor – D (festa com data móvel - em 2001 foi a 24 de maio - veja datas nos anos vindouros clicando na festa)
Domingo do santo Pentecostes - D (festa com data móvel - em 2001 foi a 03 de junho - veja datas nos anos vindouros clicando na festa)
6 de agosto – Transfiguração – D
15 de agosto – Dormição da Mãe de Deus – T
 



 

8 de setembro – Natividade da Santíssima Mãe de Deus e sempre Virgem Maria


A primeira grande festa é Theomitórica, assim como a última grande festa do calendário litúrgico bizantino. Isso mostra o amor que o catolicismo oriental tem para com a Mãe de Deus. Esta festa originou-se em meados do século V em Jerusalém, na igreja que fora construída no lugar que a tradição indicava como o da casa dos Santos Joaquim e Ana, pais de Maria. No século seguinte a festa foi introduzida em Constantinopla e mais tarde em Roma.

A festa se inicia no dia anterior, 7 de setembro, que é chamado dia da Preparação da Natividade, e vai até o dia 12, o Encerramento da Natividade. Os dias 9, 10 e 11 são chamados respectivamente de segundo, terceiro e quarto dias da Natividade. As grandes festas na Igreja Católica Melquita se estendem por vários dias. A Igreja também tem a tradição de aproximar as festas de pessoas que foram afins ao que é comemorado. Assim logo no segundo dia da Natividade, 9 de setembro, acontece a Sinaxe de Joaquim e Ana.

No decorrer da festa o ícone acima é exposto no meio da igreja para a veneração dos fiéis. No ícone vê-se Santa Ana estendida no leito sendo cuidada por servas. São Joaquim observa. Abaixo vêem-se cenas do primeiro banho da Mãe de Deus. Perto de sua cabeça estão escritas as iniciais gregas de “Mãe de Deus” (o ícone acima é um tanto pequeno para distingui-las).

No ofício das Vésperas das grandes festas da Mãe de Deus lêem-se as seguintes passagens bíblicas: Gênesis 28, 10-17, a escada celeste vista por Jacó; Ezequiel 43,27 a 44,4, onde o Senhor indica a Porta Fechada por onde passará somente Ele; e Provérbios, 9, 1-11, que descreve a sabedoria que constrói sua casa e convida a comer o pão e beber o vinho.

A saudação é a normal da Igreja Católica Bizantina. Há saudações especiais para os períodos da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo (Natal), Teofania e Páscoa, conforme explicaremos mais adiante nas respectivas festas. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

Note-se que as saudações católicas bizantinas são diferentes do conhecido “Paz de Cristo!” dos latinos.

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14 de setembro – Universal Exaltação da Venerável e Vivificante Cruz



Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, dedicou no ano 355 a Basílica da Ressurreição erguida sobre o Santo Sepulcro em Jerusalém. Uma tradição estabelecida definitivamente no século VI diz que naquele dia se descobriram perto do Gólgota três cruzes, com as quais teriam sido crucificados Jesus e os dois ladrões. A Imperatriz e o Bispo de Jerusalém Macário (depois canonizado) colocaram o cadáver de um homem sobre a relíquia e o homem ressuscitou ao simples contato do precioso lenho, confirmando que era realmente aquela a Santa Cruz.

Na tradição católica bizantina isso se chama invensão. Invensão é o ato de se descobrir o paradeiro de alguma relíquia sagrada. Algumas invensões são tão importantes que dão origem a festas, como é o caso desta.

A Santa Cruz ficou na Basílica da Ressurreição até que os persas invadiram a cidade de Jerusalém e destruíram a Basílica no dia 4 de maio de 614, levando a relíquia. No ano 628 o Imperador Heráclio derrotou os persas e levou a Cruz de volta ao calvário, vestido de roupas finas e ouro. Segundo a lenda ao tentar entrar na Basílica uma força invisível o impediu. O Bispo Zacarias o advertiu de que com aquelas roupas ele não imitava a pobreza de Cristo. Então o Imperador despiu suas roupas e vestiu um manto grosseiro e ficou descalço e então pôde entrar. Uma parte da Cruz foi levada para Roma para veneração dos fiéis pelo Papa oriental Sérgio I (687-701).

O ícone da festa reproduz a invensão: no meio está o Bispo São Macário, à esquerda de quem olha estão duas figuras coroadas, e à direita estão o miraculado (o homem ressuscitado) e o povo.

A Santa Cruz é comemorada em várias festas da Igreja católica melquita. Na Sexta-feira Santa também se comemora a Cruz, mas enquanto nesta última se enfatizam os aspectos históricos da paixão, na festa de hoje se comemoram os aspectos gloriosos e salvíficos. É festa de 1a classe.

No calendário melquita há cinco classes de festas de acordo com sua importância. As doze festas aqui expostas são todas de 1a classe, assim como todos os domingos também são. Mas estas doze, repetimos, são as festas mais importantes de todo o calendário.

No terceiro domingo da Quaresma temos a Festa da Adoração da Gloriosa e Vivificante Cruz, que é uma festa de 1a classe.

No dia 7 de maio comemora-se a Festa da Aparição da Santa Cruz sobre Jerusalém, pois a tradição diz que neste dia no ano de 351 a Santa Cruz apareceu no céu, na terceira hora do dia, resplandecente de luz, do Gólgota ao Monte das Oliveiras. É festa de 5a classe.

No dia 01 de agosto ocorre a Festa da Preciosa e Vivificante Cruz, que se originou em antiga tradição de Constantinopla em que a Cruz era carregada por toda a cidade até a festa da Dormição (15/08). É festa de 4a classe.

Além disso a Cruz é lembrada durante todo o ano nas quartas e nas sextas. Mas a principal festa da Cruz é a de hoje.

A festa começa no dia 13, que é sua Preparação, e vai até o dia 21, o seu Encerramento. A Cruz fica exposta bem ornamentada no centro da Igreja. Após a Divina Liturgia temos a procissão e a cerimônia da exaltação: o sacerdote levanta a Cruz o máximo que pode e abaixa-a até o chão, na direção dos quatro pontos cardeais, 100 (cem) vezes a cada uma das direções, pronunciando intenções de preces às quais o povo responde “Kyrie Eleison”.

A saudação é a normal da Igreja Católica Bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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21 de novembro – Entrada no templo da santíssima Mãe de Deus



A origem dessa festa nos é dada de forma lendária pelo evangelho apócrifo de São Tiago. Ao completar Maria dois anos, seu pai São Joaquim teria dito a sua esposa Santa Ana para levar a menina ao Templo, como haviam prometido ao Senhor. Santa Ana então teria dito para esperarem-na completar três anos, para ela não chamar por seus pais e assim não andar direito na presença do Senhor. Quando completou três anos, São Joaquim chamou moças virgens e deu a cada uma delas uma lâmpada, para que a menina não olhasse para trás e seu coração não ficasse cativo do lado de fora do templo. Assim foi feito, e Maria foi recebida pelo sacerdote Zacarias que disse : “Que o Senhor coroe seu nome com glória!” e a colocou perto do altar. Lá Maria teria sido alimentada por um anjo até completar doze anos. Quando chegou o tempo de se casar, José a recebeu direto das mãos do sacerdote e a levou do templo.

Essa festa tem suas origens históricas na dedicação da Igreja de Santa Maria a Nova em Jerusalém, em novembro de 543, no tempo do imperador Justiniano. A festa se espalhou por todo o Oriente no decorrer do século VII. O Papa Gregório XIV a introduziu em Avinhão (então sede da Igreja) no final do século XIV. E foi adotada de forma geral em toda a Igreja pelo Papa Sixto V em 1585.

A festa começa no dia 20 de novembro com a Preparação ou Vigília, e vai até o dia 25 com o seu Encerramento. Nas Vésperas são feitas três leituras do Velho Testamento: as disposições a Moisés para que erigisse o Tabernáculo, a tenda de reunião (Ex 40), a arca da Aliança que Salomão colocou no Templo (1 Rs 8) e a porta fechada vista por Ezequiel (Ez 44). São todas figuras bíblicas que se aplicam à Virgem.

No ícone da festa o sacerdote Zacarias recebe a pequena Maria. O Sacerdote está sobre um estrado, o que simboliza a sua elevada dignidade. Maria tem um olhar maduro e roupas de adulta. Atrás dela estão Joaquim e Ana e atrás deles o cortejo das virgens., segurando velas, símbolos da oferta. A cena  toda se passa numa tenda, indicando que a cena se passa num interior, no caso no interior do Templo.

A saudação é a normal da Igreja Católica Bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que
o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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25 de dezembro – Nascimento segundo a carne do Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo




É importante notar que essa festa, popularmente chamada entre os latinos de natal, não é de maneira alguma a festa mais importante para a Igreja Bizantina (e nem mesmo para a igreja latina!). A festa mais importante da cristandade é o conjunto de festas que chamamos de Páscoa. No entanto a inegável importância comercial que tal festa adquiriu faz com que ela seja muitas vezes chamada pomposamente de “a festa maior da cristandade”, que não é.

A preparação para a Natividade começa com um jejum a partir do dia seguinte ao dia 14 de novembro. O dia 14/11 é o dia de São Filipe, ou melhor, o dia do Santo e Ilustre Apóstolo Filipe, como o dia é oficialmente conhecido.  Assim esse jejum é geralmente conhecido como “Jejum de Filipe”. No entanto, como do dia quinze de novembro ao dia nove de dezembro há várias festas de santos importantes, muitas igrejas pospõem o começo do jejum da natividade para o dia dez de dezembro.

O Jejum da Natividade vai portanto de 14/11 (ou  10/12) até a Paramonia da Natividade, que é dia 24/12. É proibido jejuar nos sábados e domingos. Há vários níveis de jejum. O livro “A Guide for domestic church”, que é um livro da Igreja Rutena (Bizantina) recomenda apenas o seguinte jejum para iniciantes: não comer carnes, e oferecer breves preces para o Senhor durante todo o dia.

A festa em si começa no dia 20/12, o primeiro dia de preparação da Natividade. O quinto dia de preparação (24/12) tem o nome de Paramonia da Natividade. Depois do dia 25 a festa continua, com o dia 26 como o Segundo dia da Natividade e vai  até dia 31/12, com o Encerramento da Natividade.

O nascimento do Nosso Senhor começou a ser comemorado no Egito, na noite de 5 para 6 de janeiro. Tomou o lugar, entre os cristãos, da festa da natividade de Ayon, o deus de Alexandria, cujo nascimento era celebrado no solstício de inverno, que era a 6 de janeiro segundo o calendário egípcio. Com o tempo o solstício foi transferido para 25 de dezembro. Era nesse dia que os romanos celebravam a festa do “Natalis solis invicti”, uma festa estabelecida em 274 d.C. pelo Imperador Aureliano. Por todo o Império festas pagãs se faziam nesse solstício. Em Petra os Árabes festejavam ao deus Dusara. Os judeus celebravam a dedicação do novo templo no 25o dia do mês de Kislev, que corresponde ao solstício.

A Natividade começou a ser comemorada cerca de trezentos anos depois da vida terrena de Cristo, e era uma festa diferente da de hoje. Não se a via como uma comemoração do evento histórico do Nascimento. Via-se como uma comemoração das diversas manifestações Suas: nascimento, aparecimento para os magos, batismo. Ainda hoje é assim na Igreja Copta.

Foi em Roma que a Natividade foi separada da Teofania (6/1), ou seja, o nascimento foi separado das manifestações.  A data da natividade foi estabelecida talvez no ano 354, ou talvez mesmo quando do concílio de Éfeso em 431. Mas se foi no Patriarcado de Roma que fez essa separação, a estrutura da comemoração tem sua origem no patriarcado de Jerusalém. O Patriarcado de Jerusalém comemorava o nascimento com uma Eucaristia no meio da noite na basílica de Belém. E outro durante o dia no Martyrion da Santa Ressurreição. Em Roma era celebrada à noite na basílica de Santa Maria Maior, e de dia no túmulo de São Pedro.

Esclarecemos que nos princípios da Igreja foram estabelecidos cinco patriarcados. Um patriarca é eleito por um sínodo, ou seja, uma reunião de bispos sob sua jurisdição. Jesus disse “Ide e pregai”, e os patriarcados se estabeleceram de acordo com tal ordem. Um no centro do mundo, Jerusalém, a cidade onde o Salvador morreu e ressuscitou. Ao norte, Constantinopla (hoje Istambul, Turquia); ao sul, Alexandria (Egito); ao ocidente, Roma; ao oriente, Antioquia. Cinco patriarcas com a seguinte ordem de precedência: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Com os sucessivos cismas que abalaram a Igreja os três últimos patriarcados hoje estão divididos entre vários patriarcas. Mas os dois primeiros têm sucessores reconhecidos: o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Sua Santidade Bartolomeu I (Ortodoxo), e o Patriarca do Ocidente Sua Santidade o Papa João Paulo II. Entre a miríade de títulos que o Papa tem (Papa, Sucessor de Pedro, Bispo de Roma, Primaz da Itália, etc) se inclui o de Patriarca do Ocidente. Assim, os católicos latinos também têm um patriarca, apenas nos esquecemos disso pois ele é o mesmo Sumo Pontífice.

Foi no patriarcado de Antioquia no entanto, e especialmente sob São João Crisóstomo (falecido em 407) que a festa tomou a conotação de comemoração do evento histórico do Nascimento, muito mais que em Roma. Este santo era um orador fantástico, que encantava multidões (ver sua biografia e ícone ). E nos seus sermões sobre a natividade ele enfatizava esse aspecto histórico ressaltando especialmente o nascimento virginal. Logo depois veio a ser estabelecida uma festa para a Mãe de Deus (dia 26/12 é a Sinaxe – festa – em Honra da Mãe de Deus nas igrejas siríaca e bizantina).

Foi só posteriormente que essas características poéticas da festa do oriente passaram para o ocidente, e especialmente sob a influência de São Francisco de Assis. A partir dele a festa tornou-se parte importante da vida da Igreja no ocidente e do próprio folclore de muitos povos. Na Igreja latina a festa adquiriu grande importância e é superada apenas pela Páscoa, suplantando até a festa da teofania, que lhe deu origem. A Teofania (6/1) no ocidente permanece apenas como comemoração da manifestação aos Reis Magos. Na Igreja bizantina essa manifestação é ligada ao próprio nascimento e se faz no dia 25.

O ícone da natividade é colocado solenemente no meio da Igreja na celebração da paramonia no dia 24 e lá permanece até o dia 31. O ícone é dos mais ricos. O menino Jesus está no centro do ícone, numa gruta escura. Essa gruta escura representa o mal. O menino está envolto em faixas, lembrando as faixas mortuárias de onde sairá ressuscitado. De uma estrela no alto sai um raio de luz (pois Deus é um só) e que mais abaixo em frente à montanha se divide em três (o Deus único ao mesmo tempo é três – a santíssima Trindade) e desce sobre Jesus e sua Mãe. Anjos adoram o menino no alto à esquerda. Os reis magos se aproximam com presentes de ouro, incenso e mirra (acima dissemos que na Igreja Bizantina os reis magos também se comemoram a 25 de dezembro).

No canto inferior esquerdo um pastor fala com um homem que parece pensativo, preocupado. É na verdade o demônio disfarçado de pastor insinuando a São José dúvidas sobre a virgindade de Maria. São José está num momento de aflição. Perto dali à esquerda vemos o banho do pequeno Jesus, mostrando que o mesmo tem uma natureza humana e ao mesmo tempo aludindo ao seu posterior batismo – vemos que a bacia tem forma de pia batismal. O batismo mesmo de Jesus é comemorado a 6 de janeiro.

Um anjo anuncia o nascimento aos pastores, no canto superior direito. A Mãe de Deus não está voltada para o Menino. São raros os ícones em que isso ocorre. Na maioria, como no ícone que vemos aqui, está mais voltada para nós, meditando sobre o mistério da salvação, e sobre o fato que pela aceitação ela se tornou Mãe de todos nós. Há três estrelas no seu manto (muito pequenas para serem vistas nesse ícone) e que simbolizam sua virgindade.

Durante tal período os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo nasceu!

E a pessoa saudada deve responder:

- Glorificai-o!

A semana imediatamente seguinte é considerada de alegria e nela quaisquer jejuns são proibidos.
 
 

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6 de janeiro – Santa Teofania do Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo


O ícone da festa representa Cristo sendo batizado. Cristo está despido das suas roupas normais, imerso na água. À direita de Cristo está João Batista curvado em sinal de obediência. Do lado esquerdo estão anjos, com as extremidades das mãos cobertas por mantos, em sinal de respeito e disponibilidade quando Cristo sair das águas. No alto um semicírculo indica os céus abertos e dele sai um raio no meio do qual está uma pomba. No halo que envolve a cabeça de Cristo vemos as pontas de uma cUruz na qual estão escritas as letras gregas que representam “aquele que é”.

Esta festa é uma das mais antigas, comemorada pelos primeiros cristãos nos inícios de janeiro, quando se comemoravam os mistérios da manifestação do Senhor no mundo. No século IV foi estabelecido o natal, a ser comemorado a 25 de dezembro. Então o conteúdo da festa de seis de janeiro se diferenciou. No catolicismo romano latino a seis de janeiro se comemora a Epifania, Cristo como luz das nações, evento marcado pela vinda dos Reis Magos. Na igreja bizantina se comemora a segunda manifestação do Senhor, seu batismo no rio Jordão, pelas mãos de São João Batista.

Como toda grande festa do calendário litúrgico bizantino, ela tem um período de pré-festa e de pós-festa, que valorizam o evento principal. A festa da Teofania começa no dia 2 de janeiro, que é denominado “O Primeiro dia de preparação da Teofania”. O dia três é “O Segundo dia...” e assim por diante. O dia cinco é a preparação da grande festa do dia seguinte. No calendário bizantino os dias de preparação são chamados de Paramonia. Assim o dia cinco de janeiro é a Paramonia da Teofania (e não o “Quarto dia de preparação”). Depois da festa existem os dias de pós-festa, denominados da seguinte forma: dia sete é o segundo dia da Teofania, dia oito é o terceiro dia e assim por diante. Além desse nome, se houver algum sábado ou domingo no período de pós-festa, esse é chamado “Sábado após a Teofania” ou “Domingo após a Teofania”.

Assim, como exemplo, no ano 2001 a Teofania (6/1) caiu num sábado. Assim domingo dia 7/1 foi o “Segundo dia da Teofania” e “Domingo após a Teofania”. O sábado seguinte, dia 13/1, foi o “Oitavo dia da Teofania” e “Sábado após a Teofania”. A festa da Teofania vai até o dia 14/1, quando ocorre o “Encerramento da Teofania”. Assim vemos que a festa não ocorre só no dia 6/1, mas na prática vai do dia 2 ao dia 14/1.

Durante tal período os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo é batizado!

E a pessoa saudada deve responder:

- No Jordão!

Note-se que as saudações católicas bizantinas são diferentes do conhecido “Paz de Cristo!” dos latinos.

Cada um desses dias da Teofania é marcado por orações especiais a serem rezadas na Divina Liturgia. E o dia principal é evidentemente o dia seis, onde ocorre a bênção das águas.

A bênção dás águas é uma cerimônia que ocorre no final da Divina Liturgia, em que o Padre abençoa a água. O padre faz uma longa oração e depois percorre a igreja aspergindo água benta sobre os fiéis. Os fiéis podem trazer sua própria água. Durante a oração o padre invoca a Santíssima Trindade para conceder àquela água poderes de cura e bênção. Veja aqui imagens da benção das águas na Paróquia de Nossa Senhora do Líbano na festa da Teofania do ano de 2001.

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2 de fevereiro - Encontro (Hypapántê)


Esta festa se refere à apresentação de Jesus no Templo, onde é reconhecido por Simeão. Simeão está sobre um estrado, o que simboliza a sua dignidade. Vemos também José, Maria e Ana, mãe de Maria. Simeão está inclinado para o menino que segura nos braços, em sinal de respeito e admiração. José traz dois pombos para serem sacrificados. A tenda simboliza que a cena se passa num interior, no interior do Templo.

Já no século IV se falava que os cristãos de Jerusalém no quadragésimo dia faziam uma grande procissão até o Anástasis (Santo Sepulcro), onde o bispo lia o evangelho de Lucas 2:21-39 que até hoje é lido nas igrejas católicas nesse dia. Era uma festa solene como a páscoa, marcada pela alegria. Na adoração doas reis magos tudo tinha acontecido na intimidade, ao passo que a apresentação no templo foi o primeiro encontro do Verbo com seu povo, tendo à frente este o justo Simeão.Além disso é um outro encontro, o encontro do velho com o novo testamento.

A festa começa no dia 01/02, que é o dia da Preparação da Apresentação, e continua nos dias seguintes. O dia 03/02 é o Segundo dia da Apresentação, o dia 04/02 é o Terceiro dia da Apresentação, etc., até o dia 09/02, o Encerramento da Apresentação.  O dia 03/02 é também o dia da Sinaxe de São Simeão o Justo e da profetisa Ana, presentes na apresentação. A tradição aproximou as festas desses personagens ao episódio em que eles tomaram parte. Se a páscoa no entanto acontecer mais cedo, pelo final de março, comemora-se menos dias de pós-festa. Isso acontecerá no ano de 2002, em que o Encerramento da Apresentação se dará logo no dia 05/02, com apenas três dias de pós-festa.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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25 de março - Anunciação da Santíssima Mãe de Deus e sempre virgem Maria


O ícone da Anunciação está sempre presente na Iconostase das igrejas melquitas, representando o arcanjo Gabriel e Maria. Esta festa acontece exatamente nove meses antes da natividade. Tal festa começou a ser celebrada pelos cristãos de Nazaré. Foi introduzida em Roma posteriormente pelo Papa Sérgio I, um pontífice siciliano de origem síria e cultura grega.

Por cair quase sempre durante a quaresma, existe apenas um dia de pré-festa, a Vigília da Anunciação, que se dá no dia 24. A festa se conclui na tarde do próprio dia 25. E no dia seguinte, de acordo com o costume bizantino, se comemora o segundo protagonista da Anunciação: dia 26 é o dia da Sinaxe do Arcanjo São Gabriel.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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Entrada de Jesus em Jerusalém, ou Domingo de Ramos

Ícone do Domingo de Ramos

A peregrina Etéria, que nos deixou testemunho sobre os costumes cristãos nos lugares santos no século IV, nos fala que naquele dia havia uma reunião de fiéis na Basílica do Eleona no Monte das Oliveiras, seguida de procissão com o povo agitando ramos de palmeira ou de oliveira até o Calvário e a Basílica da Anástasis (ressurreição, que os católicos latinos chamam de Santo Sepulcro). Tal festa se espalhou depois pelas igrejas do Oriente e do Ocidente.

Na tradição da Igreja Bizantina a Semana Santa começa no dia anterior, o Sábado de Lázaro. A festa do Domingo de Ramos é alegre, chamada de “festa esplêndida e gloriosa”, ao contrário do que ocorre na tradição latina, na qual a alegria da festa é um pouco toldada pela leitura da paixão de Cristo

Depois da Divina Liturgia o sacerdote vai ao meio da nave central da igreja para benzer os ramos, símbolos de vitória e ressurreição. Os fiéis se aproximam para recebê-los, e beijam o ícone acima, enquanto o coro canta, entre outros, o seguinte tropário:

“O povo de Israel se dessedentou na pedra dura, aberta sob o teu comando e que fez jorrar água e tu, ó Cristo, eras essa pedra e a vida; sobre ela foi fundada a Igreja que clama: Hosana! Bendito és tu que vens!”

Depois ocorre a procissão dos ramos, alternando-se vozes dos fiéis em geral e vozes apenas das crianças.

O Domingo de Ramos acontecerá, nos anos próximos, nas seguintes datas: 08/04/2001; 24/03/2002; 13/04/2003; 04/04/2004; 20/03/2005; 09/04/2006.

Durante período da Páscoa os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo ressuscitou!

E a pessoa saudada deve responder:

- Em verdade ressuscitou!

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Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo


Esta festa se comemora no quadragésimo dia após a Páscoa. É a comemoração do triunfo do Salvador que com seu corpo glorificado volta ao céu para sentar-se à direita do Pai. No dia anterior, o trigésimo-nono dia, se comemoram ao mesmo tempo o Encerramento da festa da Ressurreição (ou seja, é o fim oficial da Páscoa) e a Pré-festa da Ascensão.

O ícone da festa tem Cristo no alto, em sua Majestade, inscrito num círculo com raios luminosos sustentado por dois anjos. Sob uma paisagem rochosa com tufos de oliveiras, vemos dois grupos de homens, os apóstolos. “Dois homens em brancas vestes” dirigem-se a eles dizendo as palavras dos Atos do Apóstolos: “Homens da Galiléia, que estás aí a contemplar o céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado, virá do mesmo modo que para o céu o vistes partir” (At 1,11). A Mãe de Deus está em posição central, separada ligeiramente pelos homens de branco dos apóstolos, em posição orante, as mãos e olhos para o Céu. Depois da Ascensão, Maria se torna o centro moral da igreja, o que está claro por sua posição central, de destaque mesmo em relação aos apóstolos, um pouco separada deles, e sua postura de oração. Na tradição bizantina da Ascensão Maria tem uma posição de bem mais destaque que na tradição ocidental.

Trata-se de festa celebrada com grande solenidade em Jerusalém desde os primórdios do Cristianismo, conforme nos atesta um fragmento de Eusébio de cerca do ano 325. A festa se celebrava no Monte das Oliveiras.

A festa tem um dia de pré-festa, já mencionado, e oito de pós-festa. O dia seguinte ao dia principal é chamado “o segundo dia da Ascensão”, depois o Terceiro e assim por diante até o oitavo. O nono dia da festa é chamado “Encerramento ou Conclusão da Festa da Ascensão”. Assim, a Festa da Ascensão tem ao todo dez dias.

A festa da Ascensão acontecerá, nos anos próximos, nas seguintes datas: 24/05/2001; 09/05/2002; 29/05/2003; 20/05/2004; 05/05/2005; 25/05/2006.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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Domingo do santo Pentecostes


Esta festa se comemora cinqüenta dias após a páscoa, com a descida do Espírito Santo.

Na liturgia bizantina no pentecostes se comemora também a Trindade, pois a mesma se completou com a descida da Terceira Pessoa. A liturgia latina só comemora a Trindade no domingo seguinte. Ao comemorar a descida do Espírito e a Trindade, a festa comemora poesia e precisão teológica.

O evento histórico, a descida do Espírito sobre os apóstolos, é comemorado no dia seguinte, a 2a feira do Espírito Santo.

O ícone da festa tem os doze Apóstolos sentados em círculo. Abaixo deles, numa abóbada semicircular, está um velho com a cabeça coroada. Ele segura com as dias mãos uma faixa na qual estão envolvidas doze cartas. Sobre sua cabeça aparece a inscrição: o Cosmo.

O velho representa o mundo inteiro, prisioneiro das trevas, e recebe os doze rolos da pregação, a mensagem apostólica. Assim, a iluminação do pentecostes continua pelo anúncio missionário, até hoje. No centro está a Mãe de Deus numa atitude orante e de acolhida. À direita dela, São Pedro.

A festa de Pentecostes é antecedida, dois dias antes, pelo Encerramento ou Conclusão da festa da Ascensão. No dia anterior, pelo Sábado dos Defuntos.

A festa tem seis dias de pós-festa. Dura até o sábado seguinte, o Encerramento ou Conclusão da festa de Pentecostes. E a partir da festa, os domingos sempre se relacionam com o Pentecostes – o domingo seguinte é chamado o 1o domingo de Pentecostes, o próximo o 2o domingo de Pentecostes, e assim por diante até o penúltimo domingo antes da festa da Exaltação da Santa Cruz, dia 14 de setembro. O último domingo antes da mencionada festa já se refere a ela (a festa de exaltação da Santa Cruz).

A festa da Ascensão acontecerá, nos anos próximos, nas seguintes datas: 03/06/2001; 19/05/2002; 08/06/2003; 30/05/2004; 15/05/2005; 04/06/2006.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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06 de agosto - Santa Transfiguração de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo


Esta festa começa com a preparação, no dia 05 de agosto, e se estende até seu encerramento no dia 13 de agosto, tendo portanto um dia de pré-festa e sete dias de pós-festa. Desde a tarde do dia 05 e até o dia do encerramento o ícone da Transfiguração fica exposto no centro da igreja para a veneração dos fiéis.

Ao centro do ícone temos a figura de Jesus em vestes brancas. Raios se desprendem de sua pessoa e se estendem até as extremidades de um círculo, símbolo da verdade. Ele está sobre um monte e  ao lado dele, em dois picos rochosos, vemos Moisés, simbolizando a Lei, e Elias, simbolizando os profetas, ambos levemente curvados em Sua direção, e com Ele conversam. Jesus veio cumprir a Lei e os profetas. Embaixo os três discípulos que subiram ao monte com Jesus estão tomados de grande espanto. Pedro de joelhos, com uma das mãos se apóia no chão e com a outra aponta para o divino fulgor, o qual olha de esguelha. Tiago e João estão caídos no chão e cobrem os olhos, ofuscados. Simbolizam a fraqueza humana contrastando com a paz de Jesus ao centro.

Esta festa é bem antiga no Oriente. Já era mencionada no século IV por Santo Éfrem, o Sírio, e São João Crisóstomo, o padroeiro dos pregadores. No mesmo século se menciona a inauguração de uma basílica no Monte Tabor. Já no Ocidente é festa relativamente recente, tendo sido introduzida pelo Papa Calixto III no ano 1457, precedida por celebrações medievais na Gália e na Espanha.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!

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15 de agosto - Dormição da Santíssima Mãe de Deus e sempre Virgem Maria


É a última grande festa do ano litúrgico bizantino – que termina a 31 de agosto. O ícone da festa representa a Virgem no seu leito de morte, rodeada pelos apóstolos, milagrosamente transportados dos locais onde faziam a pregação do evangelho, tendo ao centro Jesus Cristo que acolhe sua alma, representada por uma menina que Ele sustenta, envolta em faixas.

A festa se inicia no dia 14 com a preparação da Dormição e se estende até o dia 23 de agosto com o seu Encerramento. Mas desde o dia 01 de agosto a Igreja Bizantina se prepara para a festa com um jejum. E assim o mês de agosto é na verdade o grande mês de Maria para a Igreja Melquita, e não o mês de maio.

A fixação da data desta festa no dia 15/08 vem de um decreto do Imperador Romano do Oriente Maurício (582-602) confirmando uma tradição mais antiga. No Ocidente a festa foi introduzida pelo papa Sérgio I (687-701) junto com outras festas marianas. A festa permaneceu comum aos cristianismos oriental e ocidental por mais de um milênio. O nome Assunção, originário da França, é bem mais recente.

A tradição diz que o apóstolo Tomé, tendo chegado atrasado para o sepultamento da Virgem, quis rever seu amado semblante e fez abrirem o túmulo, mas este foi achado vazio. A Mãe de Deus, numa visão, anunciou que havia ressuscitado e subido ao Céu junto a seu Filho divino.

A saudação é a normal da igreja católica bizantina. Os católicos devem se saudar da seguinte forma, tanto no trecho da Divina Liturgia (Santa Missa) em que o sacerdote convida as pessoas a se saudarem, como na vida diária. A pessoa que saúda deve dizer:

- Cristo entre nós!

E a pessoa saudada deve responder:

- Ele é e será!
 


Fontes:

DONADEO, madre Maria. O ano litúrgico bizantino. São Paulo: Ave Maria, 1998. 216p. Trad. P. Mihail Sabatelli, sdb.

Programa CyberTypicon 4.00, Melkite Version, autor: Diácono Peter Boutros.
 
 

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